34 anos do Rising Force

Nem todo disco tem a capacidade de sobreviver ao teste do tempo. Outros por sua vez, possuem o raro dom de tornar-se mais charmosos e até mais ouvidos, a medida em que o tempo passa. Na minha opinião, Rising Force é um desses casos.
Há exatos 34 anos, a bolacha com o selo Polydor/Polygram era lançado.

Além de todo o vigor e a unicidade para um disco de estreia, mesmo como um álbum praticamente instrumental (apenas duas músicas não são) teve o feito de ficar na posição 60 da Billboard e Décimo Quarto na terra Natal do Maestro. Além de uma inesperada indicação ao Grammy em 1986 como melhor álbum rock instrumental.

Dentro do estilo, Joe Satriani conseguiu um incrível vigésimo nono lugar na Billboard, mas isso só aconteceria três anos depois em 1987.

O destaque no que era mainstream até então, trouxe uma legião de fãs e adeptos do que viria a ser reconhecido como neoclássico, uma mistura de rock com barroco e coisas do tipo. Eu prefiro pensar em algo como um Paganini com um monte de Marshall no talo.

A possibilidade de contrato com a Polydor surgiu durante a tour do Alcatrazz no Japão de onde saiu o registro Metallic Live 84. Sem dúvida uma das performances mais memoráveis em se tratando de guitarra ao vivo. A essa altura a gravadora já estava ciente da peripécias virtuosas do Sueco, e a ponte para o Plant Studio em Los Angeles, não demorou.

Para um disco com um rigor técnico acima da média, Rising Force teve um caminho rápido em sua confecção. Do contrato até o lançamento a coisa foi bem rápida. Metallic Live, o apoteótico show no Japão, foi gravado em 28 de Janeiro de 1984. Rising force saiu em 5 de Março. Resumindo, a coisa toda deve ter acontecido em menos de 40/45 dias.

Falando um pouco sobre o studio, o The record Plant era chefiado por Gary Kellgren e Chris Stone. Gary tinha um currículo de respeito como engenheiro, durante os anos 60/70 e trabalhou com nada menos que Hendrix, Lennon, Zappa, BB King entre outros. Mas Gary morreu em 1977.

A produção do álbum ficou a cargo de Yngwie. Peter Vargo e Lester Claypool (não confundir com Les Claypool do Primus)foram os engenheiros. Peter ainda trabalhou no álbum Marching Out (1985) e na versão remasterizada de 1989 do Live Sentence – outro registro ” live” do Alcatrazz.

O resultado e a clareza do álbum é pra lá de autêntico e sofisticado, mesmo que em alguns fóruns bizarros, um ou outro lunático com demência em estágio avançado, diga que o timbre da bateria e baixo são, ” sofríveis”.

O line up do disco que tem o Jovem chefe Viking também como baixista, traz Barrie Barriemore Barlow ex Jethro Tull na bateria. Na minha opinião, o fato de Barrie ter sido o baterista nesse álbum, deu um ar mais límpido ao trabalho. Já que a dinâmica e as linhas impostas às músicas deixou todo o set mais vintage do que metal, o que trouxe uma identidade ímpar ao disco.

Jeff Scott Soto (Talisman, Takara e Sons of Apollo) é o vocalista em “As above so below” e “Now your ships are burned”.

Jens Johansson ( Dio, Stratovarius) teclado.

Eu resolvi não comentar o Tracklist por uma razão óbvia. Se você não conhece Far Beyond the Sun, Black Star e Evil Eye até hoje, definitivamente esse post não é para você. 🙂

Uma última curiosidade; Rising Force é o primeiro trabalho em estúdio onde Malmsteen usou os captadores Dimarzio Hs-3 nas guitarras. Segundo a rapaziada que come guitarra por aí, tanto Steeler quanto o No parole from Rock n Roll -Alcatrazz, são com os Fs-1. Já o Metallic Live 84 e o Rising Force são os Hs-3.

Pra encerrar, o disco foi gravado em um 48 tracks e mixado em um computador Q-Lock!

Folclores a parte, e mesmo com a turma do ” não gosto” dizendo todo tipo de bobagem, Rising Force é um trabalho único.
Na música, envelhecer bem não é uma opção, e mais do que merecido, Rising Force sobrevive ao teste do tempo com o pé nas costas.
E parafraseando o Mestre Yoda;

“Que a força acendente esteja com você”!
L.M

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